Caminho.

A bala queima penetrando a pele, deixando um leve cheiro de carne doce queimada. Não dói, o corpo adormeceu os sentidos. Mas ainda sangra.

O sangue escorre numa velocidade assustadora, manchando a pele e deixando manchas permanentes pela roupa, cada vez maiores, numa trilha que levaria ao fim.

O corpo protege as memórias e sensações, te fazendo sentir mais calmo, te preparando para um abraço caloroso, com lembranças de um tempo bom.

O sangue quente escorre e cobre o corpo completamente. O abraço esperado. Poderia fechar os olhos…

Mas os força e ficarem abertos.

Força a visão, agora turva, se arrasta e aos poucos se levanta. Não existe fim. O sangue que envolve as vestes é a água do oásis.

Não existe fim. “Não pra mim”.

Os passos nas poças, o por-do-sol avermelhado em seus olhos às 6:05 da manhã…um longo caminho.

Tem 60% de mim pra escorrer ainda. Nada passa pela mente além do vermelho. Nada existe além do destino. Aguardo a mim mesma na chegada.

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