Escreva sobre

Amarro o cabelo do mesmo jeito;
Minha visão de mim mesma não mudou tanto assim;
Você vai sempre ser meu melhor amigo.
Palavras e sensações que não mudam, a menos que o mundo nos mude.
Palavras e sensações que ficam, se quisermos mante-las.
Donos de nossas sensações,
Nos mantemos vivos.

 

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Brasil

Os piores pesadelos dos meus antepassados, tão distantes, contados como histórias, se concretizam perante meus olhos.
As pessoas morrem, as dores ficam. São herdadas.
Genéticamente entrelaçadas, como as tramas cíclicas da história.
Houveram mesmo tempos de paz? O que é a paz?
Há lugares em que este conceito sequer existe.
Mas em algumas consciências ele reside.
Sobreviver é o objetivo. Sem saber por que. Por quem.
O como, o quando e o onde são mistérios, contos, folclore.
O cotidiano muda dependendo do seu design. Mas você não tem como escolher outra pele pra vestir, nem outra vida, nem onde se quer existir.
Na imprensa de grande importância mundial, tu é só um marginal, nascido de uma terra roubada pelo dono do jornal.

E aceitamos hastear bandeiras, abana-los com folhas de bananeiras, brigar por suas riquezas, em troca do falso título de realeza.

Uma bandeira que nasceu hasteada ao contrário.

 

 

 

Liberdade.

Em meio ao metrônomo diário de passos, escadas rolantes, trens, o martelar das obras, sinfonias de sons e barulhos é na sensação que encontro o silêncio e o grito.
É na sensação em que mergulho, é nela em que me afogo.
Me afogo na intensidade incontrolável da pessoa que floresceu dentro de um vaso de apartamento e que começa a quebra-lo, de dentro pra fora, abrindo rachaduras no prédio antigo, que aos poucos se esvazia pra dar lugar a um novo conjunto de sobrados.
Substituição constante de símbolos e aprendizados.
Quebrando a pequena sacada do segundo andar por infiltração. Caindo na calçada, esparramada.
Essa é a sensação. Daí que vem o grito. É aí que me afogo. LIBERDADE!

 

*Pequeno conto escrito agora para a inscrição no projeto http://rascunhonopapel.com.br/

Pó.

Tanta coisa juntando pó.
É livro juntando pó, lembrança juntando pó, juntas juntando pó.
Quero limpar, lavar torcer, secar.
Quero mudar, fazer voar. Fazer decolar toda essa potência, que se encontra parada, em meio à poeira.
“Amanhã é o dia” que nunca chega.
AMANHÃ eu vou limpar essa sujeira.
Mas fico nesse dia interminável de coisas mais importantes que limpeza.
Quero lavar tudo com água fria, arrancar tudo pra fora e botar de volta só o que importa, o que constrói, o que convém.

Me deixa limpar a vida, vida. Me deixa reestruturar meu ambiente, limpar minha mente. Me deixa, me permite.
É HOJE, gente.

Caminho.

A bala queima penetrando a pele, deixando um leve cheiro de carne doce queimada. Não dói, o corpo adormeceu os sentidos. Mas ainda sangra.

O sangue escorre numa velocidade assustadora, manchando a pele e deixando manchas permanentes pela roupa, cada vez maiores, numa trilha que levaria ao fim.

O corpo protege as memórias e sensações, te fazendo sentir mais calmo, te preparando para um abraço caloroso, com lembranças de um tempo bom.

O sangue quente escorre e cobre o corpo completamente. O abraço esperado. Poderia fechar os olhos…

Mas os força e ficarem abertos.

Força a visão, agora turva, se arrasta e aos poucos se levanta. Não existe fim. O sangue que envolve as vestes é a água do oásis.

Não existe fim. “Não pra mim”.

Os passos nas poças, o por-do-sol avermelhado em seus olhos às 6:05 da manhã…um longo caminho.

Tem 60% de mim pra escorrer ainda. Nada passa pela mente além do vermelho. Nada existe além do destino. Aguardo a mim mesma na chegada.

WE are your HOME.

Calling your name out loud
You hear them enough
They scream, they shout.

Touching you like you’re loved
Is this love?
To be touched like you’re owned?

So you have to scream for help
But their words worth more than your pain
And it seems that you are raped
again and again and again.

If you don’t feel afraid
If you can’t understand
Try imagining the pain
Of a soul, always restrained.

If you still call her names
If you still invade her space
If you still don’t listen to her
You are the one who hurts.

And if you are the other side
The girl who tries to hide
Know you are not alone.
We are your home.

Happy Woman’s day.

Feliz ano novo.

 ⁠A gente terminou
E de repente
Tudo o que eu toquei e que senti foi um consolo
Por não ter você mais ali
Na minha frente
Eu consigo sentir o sabor da angústia misturado com o sabor do batom novo
Eu consigo sentir o cheiro da esperança em nós morrendo
Quando cuido dos meus cabelos
As roupas que eu usei, as fotos que eu tirei, as pessoas que encontrei,
Todos amassados
Numa lembrança muito clara
De libertação e queda livre
Mas eu uso as mesmas roupas
O mesmo creme de cabelo
O mesmo batom.
Vejo as mesmas pessoas.
Insisto na lembrança daquela dor.
Aquele quarto de motel ainda me excita
A aventura do mundo sem você
Me excita.
A chuva de urubus em volta da minha carne podre
O cheiro da chuva
A grama molhada
Minhas escolhas impulsivas
Minhas vinganças escondidas
O melhor e o pior de mim.
Eu amo você. Eu amo amo amo você. Eu amo a dor de não te ter.
Eu amo o sufoco
A lama
Eu amo me corromper
Me motivar pelo desespero
De não poder te ver.
Eu caminhei
Eu fui
Andei
Não fugi.
Enfrentei
Eu voltei
Mas não voltei
Oi
Não sou mais eu
Eu sou eu
Você é você
Não somos nós
Não somos um
Nós somos dois
Muitos
Cada dia novos.
Você e eu
Eu e você
Dois Aqui, lá
Sem tirar, só pôr
Só por
Mim
Ou você
Que seja, se quiser
Se não, não é
Que ande, que doa
Doendo ou não
Mas que ande
Pra frente, pra cima
Não de volta pro porão
Sem deixar juntar poeira
Em algo bom.